Terceira parte de outro dia qualquer, 2013
acordo quase ao meio dia com cheiro de ovos e bacon, me levanto visto minha calça e não consigo achar minha blusa, vou em direção a sala onde encontro ela vestida apenas com minha blusa tão sexy, tão surreal. e a cada passo que dou para perto dela já imagino a parte chata, a despedida, por isso gosto de ir pra casa, pois quem fica nessa situação não sou eu, e aqui estou eu...
-bom dia
-bom dia, diz ela me dando um beijo
-dormiu bem?
-como um anjo
-você sempre faz isso ?
-transar na primeira noite?
-não, ovos e bacons
-nem sempre, para as duas coisas. venha sente-se aqui , já esta tudo pronto
tomamos café como duas pessoas desesperadas por companhia. tava tudo muito bom, a conversa, a comida. além do sexo ela cozinhava muito bem, um pacote completo mas não feito para mim, talvez para outro desajustado aqui nesta cidade. conversamos bastante até a hora que me deu vontade de ir embora. me despedi dela e fui andando pra minha rua. passando em frente ao bar olho para dentro e sinto uma sensação, acho que era meu corpo pedindo pra entrar. sedento a tentação levo meu corpo ao seu desejo mais profundo. entro, sou reconhecido pelo barman, ele me serve o de sempre. ao mesmo tempo que foi rápido entrar, foi ao sair.
chegando em meu apartamento a chave não estava no lugar secreto meu e da Jude. vou até o zelador do prédio para abrir pois eu sei que ele tem uma chave reserva de todos os apartamentos, demorou 15 minutos até conseguir entrar. fico me perguntando porque a Jude não deixou minha chave.
tiro minha roupa, ligo o som, pego uma dose de Whisky, pego um cigarro e vou pra varanda. ao som de "revolution" vou saboreando aquele momento.terminou a musica, terminei o cigarro e minha dose. vou a caminho da cama quando ouço alguém batendo na porta. coloco a calça e vou atender
-oi
-oi
-sou o policial Marcos do 13ª batalhão, estou aqui em nome de Jude James.
-o que aconteceu? começo a ficar preocupado
-ela colocou seu nome e endereço como contato mais próximo no plano de saúde. pegamos essa informação e estou vindo a você informar que ontem as quatro horas da manhã ela faleceu.
-como, como assim? falo quase gaguejando
-houve um atentado na boate "B66 club" e ela é uma das vitimas. eu sei que é uma noticia inesperada mas já está em investigação e um suspeito preso. por fim aqui está os pertences achado com ela. assine assine aqui. obrigado e boa tarde.
o policial sai, e eu sem acreditar com o corpo travado, não consigo fechar a porta, não consigo sair do lugar, não consigo acreditar. fico parado por um tempo até que sinto alguém me abraçando. me desperto do meu transe era Lucy, olhos vermelhos de tanto chorar, cara inchada, cabelo bagunçado. ela me puxa e me leva até a varanda
-vai ficar tudo bem, eu sei que vocês eram amigos
-eu não acredito, eu estava lá, porque isso aconteceu
-eu também estava lá, foi tudo muito rápido. fala ela começando a chorar
-me conta o que aconteceu, como isso pode acontecer. meu rosto em choque não demostrava nenhuma reação, estava confuso, estava assutado, estava em choque
-ela estava do lado de fora fumando um cigarro quando a confusão começou
no inicio não entendi nada estava dançando ai do nada todo mundo começou a correr pros fundos, por um tempo fiquei desorientada até me dar de conta do que estava acontecendo. corri junto com o pessoal que estava lá dentro. diz ela chorando ainda mais e me abraçando
-maldito cigarro. abraço Lucy, começo a chorar a ficha começa a cair
ficamos ali, abraçados, chorando, desacreditados.
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